sábado, 8 de abril de 2017

Não-sentir de estimação

Apatia é o bicho do quero sem querer
Sobe no pé da gente e espera-nos perceber
Para darmos patada no próprio pé descalço
E continuamos puxando a coleira de náilon

Gosta de fazer serão nos dias acordados
Se apega aos olhos ouvidos tato boca e carne
Amorna o sol do meio-dia o gelo e os nossos lábios
E saem menos primas as matérias das verdades

Falso, falsos, continuamos sendo falsos
Trocando as meias-mentiras por centavos
Caprichando na limpeza do sapato
Negligenciando o salão que há no peito
Pobres manos imperfeitos
Por que dizeis que vossa felicidade é vossa?
E por que sai da vossa boca que tudo é são?
Sinto que vossa pena não se desgasta
Que a vossa força arregaça as mangas do patrão
Que o céu risonho e límpido vos impede de ver no vácuo a escuridão

Grandes seriam vossas manias se vossas maneiras não fossem praga
Coisa podre e fedida é se alimentar de chaga
E vós não quereis saber
Não quereis nem ouvir
Sabeis de vós e vossa fuça
E viveis da fuça lavada
Que quando não obedece vos enfada e envergonha
Pamonhas!
Crescei, moleques, crescei!
Vossa mãe não vos prevenirá pra sempre
O sucesso não surgirá de um ventre
E a neve que pensais que fazeis cair é caspa
Morre, desgraça! Que morra mesmo, a desgraça
Vos aliviaria o peito saber que o mal não vem?
Nem
Nem Assim.

Grita vosso pudor que quer ser desempregado
Chora vossa moral que não aguenta mais ser usada
Apiedai-vos do vosso corpo que cansou de não ser pago
Cancelai a confecção dessas vidas sem frangalhos

Cantai, cantai, cantai e tocai
Saí da toca e se encantai
Buscai a ergonomia das trocas de cuidado e energia
Tocai no que tocardes e fazei vibrar
A mais bela das euforias,
A verdade da vossa alma
A exatidão da vossa vida.

2 comentários: